terça-feira, 19 de maio de 2009

Mineiros inventando moda

Criação da Alphorria Cult, apresentada no penúltimo dia do evento*

O Minas Trend Preview, realizado em Minas Gerais, é o único evento de pré-lançamentos de moda no Brasil. A quarta edição, que aconteceu entre os dias 28 de abril e 2 de maio na Lagoa dos Ingleses, em Nova Lima (região metropolitana de BH), apresentou coleções para a Primavera-Verão 2009-2010.

Reunindo 170 expositores de roupas, sapatos, bolsas e acessórios, o evento teve a participação de lojistas de todo o país, além de compradores da França, Inglaterra, Itália, Índia e Japão. A decoração das passarelas foi inspirada no “Ano da França no Brasil” e mesclada com símbolos do sertão mineiro. Este ano, os desfiles foram divididos em 5 dias, permitindo coleções maiores. As marcas de destaque nos desfiles incluem Alphorria Cult, Squadro, Victor Dzenk e GO.

Além dos desfiles e salão de negócios, foram ministradas diversas palestras de formação com temas voltados para o mundo da moda, como o estudo de Jimmy Choo (designer de sapatos chinês) e as tendências de comportamento do novo consumidor em tempos de crise. O Minas Trend Preview é organizado pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG).
Você pode conferir mais notícias e fotos dos desfiles aqui.

*Crédito pela foto: Márcio Madeira

domingo, 10 de maio de 2009

Eta vida besta


Só pra mostrar um pouquinho como são as pequenas cidades do interior mineiro...


Cidadezinha qualquer (Carlos Drummond de Andrade)


Casas entre bananeiras
mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar
Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.
Devagar... as janelas olham.
Eta vida besta, meu Deus.


Drummond (1902~1987) nasceu em Itabira-MG. Cursou Farmácia em Belo Horizonte, deu aulas de Geografia, exerceu o Jornalismo e foi funcionário público. Em 1933, radicou-se definitivamente no Rio de Janeiro. Segundo o site Por Trás das Letras, é considerado o maior poeta brasileiro.

sábado, 9 de maio de 2009

Uai, que trem, sô!


Segundo Felipe Peixoto Braga Neto, "os não-mineiros, ignorantes nas coisas de Minas, supõem, precipitada e levianamente, que os mineiros vivem — lingüisticamente falando — apenas de uais, trens e sôs. Digo-lhes que não." Imagino que alguns "não-mineiros" devem até se perguntar: como é possível caber uma locomotiva inteira dentro do bolso ou de uma caixa de sapatos? Isto porque, pra mineiro, a palavra "trem" pode ser usada nas mais diversas ocasiões.

- Esqueci de fazer um trem.
- Pega esse trem aí pra mim?
- Tô procurando um trem pra comer.
- Nossa, caiu um trem no meu pé e tá doendo um tanto...

Seja o contexto que for, nós mineiros sempre teremos essa palavrinha à qual recorrer. A insistência dos mineiros foi tanta que os dicionários incorporaram. O Houaiss diz, entre outros significados, que trem é palavra-ônibus usada em lugar de algo concreto. Segundo o dicionário, não é só gente de Minas que tem este regionalismo no vocabulário: em Goiás e Tocantins a expressão também é usada com este sentido (ou seja, qualquer sentido).

Mas, como disse Felipe Peixoto, além do famoso "trem", são inúmeras as expressões peculiares da fala mineira. Veja aqui o texto que ele publicou sobre o assunto.

Essas variações de linguagem no dialeto da nossa terra incluem traços fonéticos interessantes, como aponta um autor da Wikipédia*:

- Apócope das vogais curtas: parte é pronunciado part' (com o "t" levemente sibilado).
- Assimilação de vogais consecutivas: o urubu passa a ser u rubu.
- Apócope do "d" nos gerúndios: chovendo passa a ser chuvenu. Tomate passa ser tumat' (com o "t" levemente sibilado).
- Permutação de "e" em "i" e de "o" em "u" quando são vogais curtas.
- Contração freqüente de locuções: abra as asas passa a ser abrazaza.
- Alguns ditongos passam a ser vogais longas: fio converte-se em fii, pouco é dito poco.
- Algumas sílabas são fundidas em outras. lho passa a ser i (filho => fii), inho converte-se em inh (pinho => pinh).
- Aférese do "e" em palavras iniciadas por "es": esporte torna-se sportchi.

É claro que estes são exemplos de apenas uma das variações linguísticas encontradas em Minas Gerais. Aqui, também tem gente que diz "debaixo da cama", em vez de um ligeiro "badacama". Enfim, segundo Alfredina Nery, professora universitária e consultora pedagógica, determinadas variedades lingüísticas dentro do país não são reconhecidas e muitas vezes são até rejeitadas por certas tradições culturais. Para algumas pessoas, essas variações são consideradas deficiências do falante. Preconceito lingüístico.


*Tudo bem, eu sei que a Wikipédia não é a fonte de informações mais confiável, mas eles citaram vários traços fonéticos aqui.